Fico muito feliz quando ocasionalmente eu leio uma matéria que me faça sair do anonimato para expressar minha opinião aos nossos formadores de opinião. O texto abaixo foi inspirado em uma coluna de uma jornal de grande circulação, onde sugere a população conivência aos flanelinhas.
Sou apenas mais um brasileiro que teve a sorte de ter uma família em que os pais não se separaram e estudou mais de 16 anos (contando desde a alfabetização; é a maneira como o IBGE analisa a relação educação/salário) para alcançar o emprego que compõe a renda mensal de minha família. Eu trabalho como a maior parte da classe média: 50 horas por semana. O tempo que me resta tenho que continuar estudando, ser marido, pai, irmão, filho, neto, padrinho, afilhado e sei lá mais o que. Minha esposa não leva a vida de forma muito diferente, a não ser pelo fato de fazer parte de um programa de formação para jovens e adultos. Àqueles que compreenderam que estudando poderão melhorar suas vidas assistem aulas duas vezes por semana em busca do diploma de primeiro, ou segundo grau. Visto sua sugestão, acho que pedirei a ela que pare de lecionar para o projeto, que lamentavelmente tem muitas cadeiras vazias todas as semanas. Penso agora que um dos prováveis motivos da ausência dos alunos é estarem trabalhando como flanelinhas na frente da escola e outras praças. Afinal, com o apoio fiel da classe média "flanelar" se tornará um bom empreendimento ainda mais rentável. Assim resolveremos o primeiro grande problema: a fome. Mas mesmo tendo o que comer, infelizmente não vejo os flanelinhas tomando o estudo como segunda prioridade, pois os veículos de comunicação de massa não são educativos. Pelo contrário, estimulam uma rotina de consumo desenfreada, criando assim um círculo vicioso de esforço para se pagar os prazeres da vida. Literalmente "caídos em tentação" estes, que já não possuem quase nada, usam seus recursos de forma inadequada, aumentando a cada dia a frustração por não ter e alimentando uma obrigação de conseguir ajuda daqueles que conseguiram algo.
A culpa é do governo municipal, estadual, ou federal? O povo não sabe votar e elege péssimos representantes para os poderes legislativo e executivo? Onde está a fiscalização do serviço público? Por que as denúncias nos jornais não tem acompanhamento? Do que adianta a denúncia, se não existe real preocupação com a punição?
Olha, depois disso tudo apresentado, não acredito que alguém continue apoiando o "trabalho" dos flanelinhas. Extorsão é crime e como delito deve ser punido.
Se você precisa de alternativas para se convencer que esta situação pode ser remediada, leia "O Líder" do famoso prefeito de Nova Iorque. Rudolph Giuliani promoveu uma reforma na máquina pública para cuidar da população. O exemplo veio "dos States", por que talvez seja mais fácil convencer "nossos intelectuais" e críticos sociais. Afinal, santo da casa não faz milagre.
Já existem cidades no Brasil com soluções criativas para conter os flanelinhas e nenhuma delas sugere tratá-los como coitadinhos. Até porque, se conseguirmos tirá-los das ruas, mesmo que a força da polícia, precisaremos encontrar meios de colocá-los em salas de aulas para conquistarem uma formação e melhorarem suas vidas.
A tríade social, econômica e política, que molda nosso jeito de viver não é perfeita, mas a conivência as suas disfunções não é uma alternativa satisfatória. Senão, porque continuarmos com a arrecadação de impostos? Por que ofertar tantas vagas em concursos públicos, se não temos mais esperança no sistema? O problema não é a burocracia, mas a falha na execução dos processos e troca de favores entre os poderosos, que emperram a máquina chamada viver.
Uma das leis da prosperidade é fazer o que tem que ser feito, dentro da ética e moral. Se isso ocorrer em escala, talvez consigamos um mundo com menos desigualdade.