quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

PARA ONDE FOI O BOM SENSO?

Fico muito feliz quando ocasionalmente eu leio uma matéria que me faça sair do anonimato para expressar minha opinião aos nossos formadores de opinião. O texto abaixo foi inspirado em uma coluna de uma jornal de grande circulação, onde sugere a população conivência aos flanelinhas.

Sou apenas mais um brasileiro que teve a sorte de ter uma família em que os pais não se separaram e estudou mais de 16 anos (contando desde a alfabetização; é a maneira como o IBGE analisa a relação educação/salário) para alcançar o emprego que compõe a renda mensal de minha família. Eu trabalho como a maior parte da classe média: 50 horas por semana. O tempo que me resta tenho que continuar estudando, ser marido, pai, irmão, filho, neto, padrinho, afilhado e sei lá mais o que. Minha esposa não leva a vida de forma muito diferente, a não ser pelo fato de fazer parte de um programa de formação para jovens e adultos. Àqueles que compreenderam que estudando poderão melhorar suas vidas assistem aulas duas vezes por semana em busca do diploma de primeiro, ou segundo grau. Visto sua sugestão, acho que pedirei a ela que pare de lecionar para o projeto, que lamentavelmente tem muitas cadeiras vazias todas as semanas. Penso agora que um dos prováveis motivos da ausência dos alunos é estarem trabalhando como flanelinhas na frente da escola e outras praças. Afinal, com o apoio fiel da classe média "flanelar" se tornará um bom empreendimento ainda mais rentável. Assim resolveremos o primeiro grande problema: a fome. Mas mesmo tendo o que comer, infelizmente não vejo os flanelinhas tomando o estudo como segunda prioridade, pois os veículos de comunicação de massa não são educativos. Pelo contrário, estimulam uma rotina de consumo desenfreada, criando assim um círculo vicioso de esforço para se pagar os prazeres da vida. Literalmente "caídos em tentação" estes, que já não possuem quase nada, usam seus recursos de forma inadequada, aumentando a cada dia a frustração por não ter e alimentando uma obrigação de conseguir ajuda daqueles que conseguiram algo.

A culpa é do governo municipal, estadual, ou federal? O povo não sabe votar e elege péssimos representantes para os poderes legislativo e executivo? Onde está a fiscalização do serviço público? Por que as denúncias nos jornais não tem acompanhamento? Do que adianta a denúncia, se não existe real preocupação com a punição?

Olha, depois disso tudo apresentado, não acredito que alguém continue apoiando o "trabalho" dos flanelinhas. Extorsão é crime e como delito deve ser punido.

Se você precisa de alternativas para se convencer que esta situação pode ser remediada, leia "O Líder" do famoso prefeito de Nova Iorque. Rudolph Giuliani promoveu uma reforma na máquina pública para cuidar da população. O exemplo veio "dos States", por que talvez seja mais fácil convencer "nossos intelectuais" e críticos sociais. Afinal, santo da casa não faz milagre.

Já existem cidades no Brasil com soluções criativas para conter os flanelinhas e nenhuma delas sugere tratá-los como coitadinhos. Até porque, se conseguirmos tirá-los das ruas, mesmo que a força da polícia, precisaremos encontrar meios de colocá-los em salas de aulas para conquistarem uma formação e melhorarem suas vidas.

A tríade social, econômica e política, que molda nosso jeito de viver não é perfeita, mas a conivência as suas disfunções não é uma alternativa satisfatória. Senão, porque continuarmos com a arrecadação de impostos? Por que ofertar tantas vagas em concursos públicos, se não temos mais esperança no sistema? O problema não é a burocracia, mas a falha na execução dos processos e troca de favores entre os poderosos, que emperram a máquina chamada viver.

Uma das leis da prosperidade é fazer o que tem que ser feito, dentro da ética e moral. Se isso ocorrer em escala, talvez consigamos um mundo com menos desigualdade.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

MÉDICOS OU CARTOMANTES?

Ultimamente para onde olho, vejo mulheres grávidas. Grávidas no ônibus, grávidas no trabalho, grávidas nos casamento, grávidas, grávidas e mais grávidas. Algumas eu tive o prazer de conhecer e ao mesmo tempo me assustar, pois a maioria parece ter se utilizado de cartomantes para cuidar da gestação. Todas elas, digo, todas as SETE já sabiam a data em que o bebê iria nascer. Sabe como se chama isso? Cesariana. Curioso, eu resolvi buscar detalhes sobre este desvio de comportamento e fiz descobertas assustadoras.

Nas últimas semanas tive a oportunidade de estar em contato com dois obstetras e sutilmente segui em minha busca insólita por justificativas para o número surreal de médicos que induzem as grávidas à cesariana. Perguntei ao médico que nos atendeu se ele saberia me explicar o motivo para que 98% dos partos no eixo Rio-Niterói não fossem normais. De onde evoluiu a idéia de que a cesariana é melhor que o parto normal? Onde ter a barriga cortada é bom? Onde ter que tomar um remédio para indução do leite materno é bom? Onde ter que pagar três dias de quarto é bom? Onde não poder fazer esforço físico por alguns anos é bom? Onde o risco de infecção nos pontos é bom? Onde ter a sensação de alguém mexendo em suas vísceras é bom? Não é um filme de terror, apenas uma faceta que às vezes passa despercebida pelas pessoas. O mundo tem a cesariana como recurso as complicações de um parto normal. Em qualquer site de saúde é possível encontrar números que apresentarão 20% dos partos como cesariana, mas vamos ao que interessa. Em nenhum estou dizendo que cesariana é ruim, mas gostaria de salientar que os números são desproporcionais a realidade mundial. Cada caso é um caso e os médicos estudam anos, mas muitos anos para tomarem decisões que envolvam a saúde de seus pacientes. Para trabalharem precisam pagar até para ter um número em uma carteirinha que lhes identificam.

Ao serem questionados, eles foram direto ao ponto. Um deles teve um carro furtado, foi levado em um seqüestro relâmpago - onde os ladrões conseguiram destrancar eletronicamente as portas do carro - e ainda sido abordados em uma falsa blitz. O outro não entrou em detalhes, mas disse que o medo era o principal motivo para não recomendar o parto normal, pois este expõe o médico a violência, principalmente por causa do horário em que o trabalho de parto pode vir a começar. Este, após consideráveis perdas materiais - e ainda bem que foram só elas - definitivamente deve inclusive evitar as grávidas que não aceitam a cesariana.

Eu já havia imaginado de tudo por causa de nossa deficiente segurança pública, pois há tempos considero que ultrapassamos os limites aceitáveis - se é que podemos considerar que existem - de criminalidade. O NÚMERO DE CESARIANAS AUMENTA COM A CRIMINALIDADE e esta é apenas mais uma faceta de como o crime nos grandes centros trás prejuízos para a sociedade. Neste caso roubando a saúde de nossas mulheres.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

PARADIGMAS MODERNOS

Outro dia na Expo Money 2008 ouvi um palestrante repetir palavras que ouvi em 1994 em um seminário de Marketing em Florianópolis: “Filho, você precisa estudar e tirar boas notas, para que consiga ter base para entrar em uma boa universidade, para compor um bom currículo e conseguir um bom emprego”. O único problema nesta frase, como disse o próprio palestrante, é que em nenhum momento se fala o que devemos fazer com o dinheiro que iremos ganhar.

A educação financeira é um assunto que começou a ser discutido em alguns lugares, mas que ainda precisa ser muito difundido. É algo que há tempos as classes A e B perpetuam de pai para filho, mas a classe média nunca teve acesso a este tipo de ensinamento, salvo as tradicionais exceções que conseguem "fugir as leis da Matrix". É preciso quebrar o paradigma de que estudamos para trabalhar, pois precisamos de algo mais nos dias de hoje. Precisamos estudar para ter uma vocação e ter conhecimento para gastar e investir o fruto de nosso esforço mensal.

Administração financeira deveria ser matéria obrigatória desde o segundo grau, quando estudamos para fazer contas e não compreendemos sua aplicabilidade. Por que ninguém diz que estudando equações em algum momento aprenderemos a lidar com juros e financiamentos? Por que ninguém diz que geometria um dia seria importante para análises gráficas de bolsa de valores? Por que ao estudarmos história e geografia abordamos de forma muito basal aspectos econômicos e políticos? Espero que nos dias atuais isso tenha mudado, mas pelo comportamento geral, preciso ser cético e pessimista. A cada ano as escolas formam mais empregados, onde a competência se torna uma exceção. Os visionários e os criativos parecem cada vez mais raros em meio a uma cultura de mulheres fruta, verdura e fritura. A corrupção é moda, a alienação casualidade, a falta de tempo para instrução um acidente em uma cultura de muito para se fazer e pouco para se dedicar. A televisão se tornou uma tutora, mas infelizmente poucos canais ensinam o que as pessoas precisam aprender. É uma cultura de gastar, mas não para os ricos, que sabem investir e vivem apenas de seus dividendos que a cada dia aumentam suas fortunas.

A culpa não é do governo, mas do próprio povo, que acredita que a vida não deve ser levada tão a sério. Afinal, qualquer coisa, temos os amigos e os churrascos para se falar de futebol, da novela e do chefe. Esse que normalmente vai para o inferno em meio as boas intenções. Muitas vezes desamparado e sem conhecimento toma os pés pelas mãos e sabota o seu próprio futuro, sua empresa e o destino de todos que o cercam.
Por mais que eu continue a escrever, só uma coisa importante continua a ecoar neste trecho final: estudar.

Apenas aprendendo sobre a vida é que tiraremos o de melhor dela.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ESTAMOS PREPARADOS PARA O DINHEIRO?

Há tempos se discute a importância do Q.I. (quociente de inteligência) quando iniciaram a medição da capacidade cognitiva de indivíduos (veja http://pt.wikipedia.org/wiki/Qi) e há poucos anos se iniciou estudos para discutir a importância do Q.E (quociente emociona) e quanto controlar as emoções seria importante para a carreira. O Blog do João Melo trata do assunto e ainda apresenta o EQ MAP (http://economiaecapitalismo.blogspot.com/2008/09/quociente-emocional-x-quociente-de.html). Então, nos últimos dias estava e me perguntar se existia o quociente financeiro e descobri que o assunto é abordado com relativa freqüência em vários sites. A AE Investimentos inclusive possui um teste para avaliar sua Inteligência Financeira (veja http://aeinvestimentos.limao.com.br/especiais/esp14835.shtm). Neste você terá a chance de refletir sobre "sua relação" com dinheiro, capacidade de planejamento e preocupação com sua segurança no futuro.

É unânime em livros, artigos, ou qualquer outro material informativo que é preciso estudar antes de se pensar em aplicar. É sabido que quanto maior o risco, maior o retorno, mas é preciso saber qual o seu quociente emocional e conhecimento do mercado para agüentar as oscilações da bolsa e quaisquer outros investimentos de alto risco. Fora isso, comece pelo básico. Aprenda a poupar.

Como uma criança, todos os dias temos a chance de aprender algo novo. Hoje recomendo o blog da Mírian Leitão (http://oglobo.globo.com/economia/miriam/) e do Cláudio Gradilone (http://portalexame.abril.com.br/blogs/gradilone/listar1.shtml) para lhe levar até onde você ainda não chegou. O site AE Investimentos (http://aeinvestimentos.limao.com.br) é bastante interessante, pois oferece uma série de testes e artigos para você compreender como fazer o dinheiro se tornar um bom aliado.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

EU NÃO SABIA POUPAR

Ainda estava nas barcas quando decidi criar este blog. Nas últimas semanas a leitura de alguns livros alterou sensivelmente minha percepção sobre o dinheiro e algumas verdades que me cegavam. Como parte desta nova fase, resolvi compartilhar o que aprendi sobre poupar.

Durante muitos anos eu fiz o que a maioria das pessoas faz de melhor: gastar todo o dinheiro que tem na carteira, no banco e nos cartões de crédito. Falo isso para lhe dizer que não nasci em berço de ouro, ou ganhei na loteria para sanar minhas dívidas. Quero lhe dizer que ter dinheiro é uma questão de disciplina e gostar de tê-lo.

Apesar das crendices que são ditas por aí dinheiro na é a fonte de todo o mal. O problema é que certas pessoas quando não o tem roubam de outras. O dinheiro é apenas um meio de troca concebido pelo homem para facilitar as trocas de mercadorias. No início dos tempos as pessoas trocavam o que faziam, caçavam ou plantavam, mas com o tempo a sociedade ganhou em complexidade e sem querer entrar em detalhes criou-se o dinheiro.

Em O homem mais rico da Babilônia temos um exemplo muito interessante de poupança. Em muitas passagens somos lembrados de que devemos nos pagar primeiro. Pagar não significa gastar o dinheiro conosco. Pagar significa nos dar como gratificação uma parte do que recebemos em forma de salário. Incrível é que damos dinheiro para as empresas de luz, gás, telefone, lojas de roupas, restaurantes, bares, brinquedos, boates, posto de gasolina, ônibus, vans, jornaleiros e outros muitos, mas não nos damos um centavo para guardarmos.

Guardar dinheiro é uma forma de nos precaver contra imprevistos, como desemprego, problemas de saúde, ou mesmo para oportunidades de comprar algumas coisas sem entrarmos em parcelamentos a perder de vista. Quem tem dinheiro para comprar a vista tem mais chance de pechinchar o preço final de um produto.

Depois de algumas tentativas fracassadas de fazer uma poupança, que normalmente era utilizada em promoções ou liquidações, resolvi procurar uma forma de poupança em que eu não conseguisse mexer no dinheiro. Uma forma obrigatória de se poupar e que quase parecia uma conta como outra qualquer. Falo dos títulos de capitalização. Os títulos de capitalização não nos trazem rendimentos sobre o dinheiro aplicado, mas é uma forma de se educar alguém a poupar. Porém é preciso escolher bem o plano de capitalização. Muitos deles possuem taxas administrativas que são deduzidas do montante final no momento em que você vai sacar. Eu acabei encontrando um que não cobrava taxa administrativa, porém tinha uma duração de cinco anos. Nossa, “nunca consegui poupar por mais de seis meses, imagine então cinco anos!”Sinceramente, o início foi a parte mais difícil. Pagava algumas mensalidades atrasadas, perdia os sorteios, mas consegui sobreviver ao primeiro ano. Outro fator que me auxiliou neste processo foi a taxa administrativa, que trabalhava de forma regressiva. Digo, a taxa caia conforme o plano avançava. Então para ter idéia a taxa antes do final do primeiro ano era de 28%. Para facilitar o entendimento, a cada 100 reais que eu depositava, 28 reais ficariam para o banco se eu retirasse o dinheiro antes do tempo. A taxa no final do quinto ano chegaria a zero e eu ficaria com todo o montante corrigido pela TR.

COMO ENCHI MEU PORQUINHO

O exemplo abaixo foi como consegui criar uma reserva financeira. Utilizarei o valor de 50 reais para provar que mesmo com pouco podemos criar uma poupança.

Como já havia falado, adotar o título de capitalização como ferramenta de poupança foi a única forma de reter o dinheiro aplicado. Não havia como sacá-lo sem prejuízos. Mas existe um problema neste projeto financeiro. Com apenas um título de capitalização só teríamos acesso ao dinheiro a cada cinco anos. Tempo demais. Então vamos ao caso. Estamos em novembro de 2008. Imagine que você adquira um título no valor de 50 reais ainda este mês. Assim em dezembro de 2013 você estaria sacando seus cinco anos de economia. Falamos de 3.000 reais. Ficou legal? Mas como ter este mesmo valor em dezembro de 2014? Vamos chegar lá. O valor de 50 reais foi utilizado com um único motivo: ele pode ser economizado. Estamos falando de deixar de ir ao cinema duas vezes. Ou deixar de ir para uma noitada em um, ou dois finais de semana. Comprar menos créditos para o celular e conversar pessoalmente com seus amigos. Não sei. Cada um sabe o calo aperta mais. Assim você terá um ano para se acostumar a ficar sem estes 50 reais. Conseguiu sobreviver? Então em novembro de 2009 você vai adquirir outro título de 50 reais. Assim você vai garantir os três mil reais em dezembro de 2014. Agora você já está poupando 100 reais ao mês e não vai poder tocar neles. Eles são seu futuro. Assim, você terá um ano para se acostumar a economizar 100 reais. Conseguiu? Então você já está pronto para garantir 3.000 reais em dezembro de 2015. Quando chegar a novembro de 2010, você vai adquirir seu terceiro título de capitalização no valor de... 50 reais. Assim você terá um ano para aprender a poupar 150 reais. Conseguiu? Parabéns. Então agora você está preparado para garantir 3.000 reais em dezembro de 2016. Como? Comprar seu quarto título de capitalização no valor dos mesmos 50 reais. Assim, você terá um ano inteiro para aprender a poupar 200 reais por mês. Se você leu este artigo até aqui, significa que você realmente vai tentar poupar este dinheiro e garantir 3.000 reais em dezembro de 2016. Como? Comprando seu último título de capitalização no valor dos mesmo 50 reais. Assim, você terá a partir de agora aprendido a poupar 250 reais e espero que você consiga fazê-lo para o resto de sua vida. Pois, para receber estes 3.000 reais todos os anos você precisa apenas continuar renovando seus planos de capitalização. Achou 50 reais muito? Achou pouco? Você decide. Esta foi a forma como conseguiu poupar. Do jeito que as coisas andam é sempre bom ter um dinheiro guardado.

Lembre-se que este foi um exemplo, pois existem planos que duram menos tempo, mas não deixe de perguntar se existe a cobrança da famosa taxa administrativa. Não deixe para descobrir depois de tanto esforço que o banco vai descontar alguma coisa daquele dinheiro que você lutou para juntar durante anos.

Se você é uma pessoa de mente forte, esqueça tudo o que escrevi. Simplesmente deposite dinheiro na sua poupança e espere criar um montante que você possa utilizar em aplicações mais rentáveis. Não sabe do que estou falando? Eu também não sabia. Estude as formas de se multiplicar sua poupança. O que você sabe determina o que você ganha e o quanto você pode fazer. Agora aprenda a investir seu dinheiro. Existem muitos bons livros sobre o assunto e garanto a você que seus dias serão bem melhores sabendo que você está fazendo um pé de meia para projetos maiores no futuro.