sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

EU GOSTAVA DE BALANÇAR NA BAÍA DE GUANABARA

Sexta-feira, último dia da semana para aqueles, como eu, que não trabalham no final de semana. Ao contrário daquela animação esfuziante os moradores de Niterói só lembram de duas palavras: ponte ou barca.

É sabido há tempos que a ponte não suporta o fluxo de veículos entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói seja o dia que for da semana, mas na sexta-feira enfrentamos uma situação anormal, por causa dos viajantes que segue para Região dos Lagos e Serrana. As barcas sempre foram a melhor opção para aqueles que evitam trabalhar de carro, ou podem fugir dos coletivos e vans que se aglomeram tentando subir a ponte.

Desde a terceirização das barcas o serviço vinha numa crescente de qualidade espantosa. A travessia tornou até mais rápida com a manutenção realizada pela concessionária. Tanto que os catamarãs rapidamente foram preteridos pelos usuários. A relação custo/benefício não justificava pagar uma passagem 300% mais cara.

Então vieram as novas barcas, mais rápidas, porém com uma capacidade 40% menor. Apesar de temeroso, pensei como muitos que o desempenho da nova barca daria conta da demanda, já que poderíamos ter uma maior frequência das viagens. Mas tivemos alteração em uma variável muito importante neste processo: a demanda. Com o aumento do número de usuários vieram as grandes filas. Não, as filas já eram grandes. Agora são gigantescas nas horas que antecedem o início do expediente comercial e nas primeiras horas após seu término.

Apesar dos esforços, a concessionária não está sabendo lidar com a situação. Até o início de 2008, apenas 1/3 das roletas aceitavam vale transporte eletrônico. Hoje, mais da metade das roletas aceitam, mas as filas continuavam a crescer. Não existia mais espaço físico para expandir o serviço no eixo Niterói-Praça XV. Então inauguraram o eixo Rio-Charitas e mesmo com uma passagem 320% mais cara possui um público cativo, que também convive com filas muito grandes nos horários de pico. Provavelmente por causa dos intervalos entre as embarcações, bem maior que do primeiro eixo.

No último sábado, ouvia uma reportagem em que o entrevistado informava que o serviço não trazia lucro à prestadora de serviço, mas que parcerias do serviço público procuravam alternativas para que a concessionária saísse do vermelho. Inclusive adotar a utilização de ônibus entre meia-noite e cinco da manhã para redução de custos operacionais. Louvável, mas até então não melhoraria em nada o transporte nos horários de pico.

Mais impressionante foi ouvir o entrevistado proferir que 93% dos usuários se dizem satisfeitos. Não paro de me perguntar em que horário as entrevistas foram realizadas, pois nunca via uma alma, por assim dizer, no meio daquele caos empunhando um questionário e entrevistando um usuário. Acho difícil que a entrevista trouxesse algo de positivo para a concessionária. Mas segundo o site www.barcas-sa.com.br apenas 0,005% dos usuários transportados se disseram insatisfeitos e registraram alguma reclamação. Vamos então aos números.

Segundo o site, foram transportados em 2008 aproximadamente 22 milhões de usuários. Digamos então que são 11 milhões de passageiros indo e voltando ao ano. Dividindo por 12 meses temos 916.667 passageiros por mês e dividirmos por 22 dias úteis falamos de 41.667 fiéis passageiros por dia. Mas apenas 4.583 pessoas, apesar da confusão, não estavam atrasadas para chegar ao trabalho (ou já estavam atrasadas) e pararam para registrar sua insatisfação no balcão de serviço de atendimento ao cliente durante o ano inteiro. Eu mesmo já pensei em parar algumas vezes, mas o tempo não me permitiu. Essa é a vida na selva de pedra, onde até nossa falta de tempo é explorada para justificar um atendimento muito aquém do esperado.

Queria aproveitar este momento final para fazer um pequeno exercício. Como informei, o site estimou que 22 milhões de usuários foram transportados em 2008. Então falamos de uma receita de 55 MILHÕES DE REAIS AO ANO. Pergunto-me se um negócio com uma receita deste porte consegue ser deficitário, ou se os investidores estão tentando acelerar o retorno sobre o investimento. Alguém poderia dizer? O Estado poderia dizer?

Cópia desta mensagem tentou ser encaminhada para o SAC da concessionária, mas o link para a página do SAC não estava funcionando.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

AGORA QUE POUPEI, QUAL O PRÓXIMO PASSO?

Você consegue se imaginar dono de um grupo de empresas, que atuam nos mais diferentes segmentos do mercado e lhe garantindo lucro periodicamente? Acha impossível? A descrição acima nada mais é do que um grosseiro perfil de um investidor do BOVESPA no mercado a vista.

Se você é uma pessoa que possui uma reserva de capital e deseja criar alternativas financeiras para seu bem estar, posso lhe dizer que existem inúmeras alternativas. Recomendo a você o mesmo que me propus a fazer: pesquisar e compreendê-las. Veja até onde sua compreensão alcança e depois consulte alguém que entenda do mercado financeiro.

O que escreverei abaixo não é o caminho das pedras, mas minha decisão para aplicar o que guardei no porquinho.

Após a análise de inúmeros produtos oferecidos pelos bancos, a leitura de livros e a participação na Expo Money 2008, decidi que faria a coordenação financeira de meus investimentos. Não que eu tenha me tornado um gênio das finanças em alguns meses, mas pelo simples fato de que entregar meu dinheiro para terceiros administrarem sai muito caro. A participação desses agentes financeiros sobre o dinheiro tem inúmeros sinônimos: DAC, TAC, carregamento de crédito e outros mais que a criatividade for capaz de criar. A verdade é que estes gestores dão uma bela mordida sobre os dividendos que são capazes de gerar. Na mesma proporção que eles evitam as perdas, para nos manter fiéis aos seus planos de investimento, eles absorvem grande parte dos dividendos gerados. A cobrança é injusta? Não posso dizer, pois cada um sabe quanto vale seu trabalho. Paga quem quer. Apenas para ilustrar, encontrei em alguns livros informações em que gestores financeiros nos Estados Unidos cobram apenas 1% sobre o volume investido ao ano. Pare e pense quanto você está pagando para seu banco, ou qualquer outro agente financeiro para cuidar do seu dinheiro.

Segundo a opinião de alguns escritores, ser um investidor é menos arriscado (financeiramente) do que ser um empresário e tentar montar o próprio negócio. Não estou dizendo para você desistir de sua vocação, mas lhe fazer refletir sobre formas de multiplicar suas reservas. Segundo o SEBRAE, quatro em cinco negócios fracassam em menos de dois anos. Não estou avaliando o tipo de trabalho, mas o retorno sobre o investimento. Se você tem uma idéia que possa lhe gerar dividendos acima de 12% ao ano siga em frente. Seu futuro é ainda mais promissor.

Como qualquer atividade, investir na bolsa exige dedicação e estudo. Administrar sua cesta de investimentos é uma das alternativas menos honerosas, mas a rentabilidade será proporcional ao seu desenvolvimento como investidor. Fundos e clubes de investimentos não conseguirão lhe proporcionar retornos tão elevados quanto um bem sucedido investidor conseguiria, pois é preciso remunerar os profissionais que administram seu dinheiro. Por fim, preciso dizer que prejuízos não são resultados restritos aos investidores que seguem carreira solo. Estes agentes também estão sujeitos as intemperies do mercado.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

MÉDICOS, OU MOICANOS?

Há algum tempo eu escrevi sobre os motivos para não se fazer uma cesárea, salvo diagnóstico do obstetra. Hoje pretendo falar sobre os motivos para se fazer um parto normal.

Com minha esposa chegando ao sétimo mês iniciamos a busca pelos cursos para gestantes. Para minha surpresa não encontramos uma clínica em Niterói oferecendo as aulas. No Rio, encontramos boas referências para um curso em Copacabana e outro na Barra. Apesar de ser durante a semana e no horário noturno, optamos pelo mais próximo. Minha amada, pela primeira vez, veio dirigindo para o centro do Rio para me buscar e seguir para Copacabana. Como esperado, ela acho fácil e o trânsito educado, apesar de intenso, do que em Niterói.

Dando uma colinha do curso, o primeiro tópico abordado foi a dor do parto. Como em Mythbusters, esta lenda foi rapidamente detonada. Parto normal no século XXI se faz da analgesia. Não é anestesia. São coisas distintas, mas aplicada na peridural. Segundo, mesmo para aquelas que podem ter restrições ao medicamento, existem técnicas para evitar as dores. Para as curiosas, aviso que as dores mais fortes sentidas no parto não se devem ao parto em si. Curiosa? Faça um dos cursos, pois não tenho informação suficiente para lhe explicar como a coisa toda funciona. Nos vídeos assistimos a uma série de partos e em nenhum deles assistimos o terror de filmes e novelas. A emoção não foi de alívio pelo fim do parto, mas de fascinação por um processo natural totalmente plausível de ser vivido por uma mulher saudável.

A moral da história é que estamos realizando tudo que é possível para se tentar um parto normal. A começar pela, ou pelo, obstetra. Mesmo que seja preciso contar histórias e sonhos sobre parto normal, o quanto uma recuperação rápida e sem complicações será importante para a grávida e sei lá mais o que nós possamos inventar, vale tudo para colocar a cesárea no lugar dela: uma alternativa da medicina para situações complicadas. Por que disso tudo? Reforçando estatísticas que mencionei no outro artigo, nove em cada dez partos são induzidos para uma cesárea. Mesmo àqueles que tomaram consciência dos prós e contras do parto normal, a relação não conseguiu alcançar a média internacional de duas cesáreas para cada 10 partos. De alguma forma os números são de seis cesáreas para cada 10 partos. Mas estamos nos esforçando para estar no grupo dos 40% que consegue realizar um parto normal humanizado.

Coisas para se pensar em parto normal: recuperação é rápida; o processo é bom para o bebê em condições normais, pois entre outras coisas, ajuda a retirar o líquido amniótico do pulmão ao passar pelo canal; ativa os hormônios que induzem o leite materno; não se gasta dinheiro com remédios, tipo antiinflamatório e pomadas para cuidar dos pontos.

Eu poderia ficar aqui tomando seu tempo com mais umas 40 linhas, mas vou resumir lhe recomendando que procure informações sobre o assunto, antes de deixar alguém cortar sua barriga, ou de sua esposa. Não desista de encontrar um, ou uma, obstetra que pratique o parto normal. No consultório, converse com outras grávidas. As vezes elas podem não ser marinheiras de primeira viagem e estarem esperando um segundo, ou terceiro filho. Procure saber se tiveram parto normal, e se não tiveram, o motivo pelo qual sofreram a cesárea. Em algum momento você poderá até achar que estes médicos não existem. Que se tratam de verdadeiros moicanos pós-modernos, mas não desista.

A Senhora Stéphanie mantém um circo de palestras em Copacabana. Não são gratuitas, mas recomendo a quem pensa em fugir do bisturi. Quem tiver interesse, me mande um e-mail que passo as formas de contato.