Há algum tempo eu escrevi sobre os motivos para não se fazer uma cesárea, salvo diagnóstico do obstetra. Hoje pretendo falar sobre os motivos para se fazer um parto normal.
Com minha esposa chegando ao sétimo mês iniciamos a busca pelos cursos para gestantes. Para minha surpresa não encontramos uma clínica em Niterói oferecendo as aulas. No Rio, encontramos boas referências para um curso em Copacabana e outro na Barra. Apesar de ser durante a semana e no horário noturno, optamos pelo mais próximo. Minha amada, pela primeira vez, veio dirigindo para o centro do Rio para me buscar e seguir para Copacabana. Como esperado, ela acho fácil e o trânsito educado, apesar de intenso, do que em Niterói.
Dando uma colinha do curso, o primeiro tópico abordado foi a dor do parto. Como em Mythbusters, esta lenda foi rapidamente detonada. Parto normal no século XXI se faz da analgesia. Não é anestesia. São coisas distintas, mas aplicada na peridural. Segundo, mesmo para aquelas que podem ter restrições ao medicamento, existem técnicas para evitar as dores. Para as curiosas, aviso que as dores mais fortes sentidas no parto não se devem ao parto em si. Curiosa? Faça um dos cursos, pois não tenho informação suficiente para lhe explicar como a coisa toda funciona. Nos vídeos assistimos a uma série de partos e em nenhum deles assistimos o terror de filmes e novelas. A emoção não foi de alívio pelo fim do parto, mas de fascinação por um processo natural totalmente plausível de ser vivido por uma mulher saudável.
A moral da história é que estamos realizando tudo que é possível para se tentar um parto normal. A começar pela, ou pelo, obstetra. Mesmo que seja preciso contar histórias e sonhos sobre parto normal, o quanto uma recuperação rápida e sem complicações será importante para a grávida e sei lá mais o que nós possamos inventar, vale tudo para colocar a cesárea no lugar dela: uma alternativa da medicina para situações complicadas. Por que disso tudo? Reforçando estatísticas que mencionei no outro artigo, nove em cada dez partos são induzidos para uma cesárea. Mesmo àqueles que tomaram consciência dos prós e contras do parto normal, a relação não conseguiu alcançar a média internacional de duas cesáreas para cada 10 partos. De alguma forma os números são de seis cesáreas para cada 10 partos. Mas estamos nos esforçando para estar no grupo dos 40% que consegue realizar um parto normal humanizado.
Coisas para se pensar em parto normal: recuperação é rápida; o processo é bom para o bebê em condições normais, pois entre outras coisas, ajuda a retirar o líquido amniótico do pulmão ao passar pelo canal; ativa os hormônios que induzem o leite materno; não se gasta dinheiro com remédios, tipo antiinflamatório e pomadas para cuidar dos pontos.
Eu poderia ficar aqui tomando seu tempo com mais umas 40 linhas, mas vou resumir lhe recomendando que procure informações sobre o assunto, antes de deixar alguém cortar sua barriga, ou de sua esposa. Não desista de encontrar um, ou uma, obstetra que pratique o parto normal. No consultório, converse com outras grávidas. As vezes elas podem não ser marinheiras de primeira viagem e estarem esperando um segundo, ou terceiro filho. Procure saber se tiveram parto normal, e se não tiveram, o motivo pelo qual sofreram a cesárea. Em algum momento você poderá até achar que estes médicos não existem. Que se tratam de verdadeiros moicanos pós-modernos, mas não desista.
A Senhora Stéphanie mantém um circo de palestras em Copacabana. Não são gratuitas, mas recomendo a quem pensa em fugir do bisturi. Quem tiver interesse, me mande um e-mail que passo as formas de contato.
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