Sempre me disseram que nossa formação influencia a maneira como enxergamos as coisas ao nosso redor. Assim, enquanto descia a rampa do Maracanazinho em direção a saída conversava com um casal de amigos sobre a esperança de assistir o basquete renascer como esporte e talvez tenhamos assistido os primeiros passos deste processo, mas muito precisa ser feito.
O evento seguiu o cronograma de um Jogo de Estrelas. Campeonato de enterradas, três pontos, farta distribuição de brindes e um grande rachão com os melhores jogadores da NBB. Mas onde estava o locutor do ginásio informando quem convertia as cestas, ou quem havia feito a falta? Por que o placar eletrônico não informava estatísticas dos jogadores no lugar dos vídeos da NBA? Onde estavam as lojas de materiais esportivos ofertando produtos? Mas depois que descobri que a fornecedora do vestuário do meu time de coração não revende o material do time de basquete, eu temo pela sustentabilidade dos times e da liga.
Àqueles que como eu que foram ao estádio, valeu pela diversão, mas o jogo parece ter sido organizado para televisão. Nada contra, pois hoje ela parece ser o principal patrocinador da categoria, mas a captação de recursos merece maior diversidade e comprometimento. Até em museus já assisti movimentos mais agressivos de marketing, com chaveiros, autocolantes, canetas, camisetas, bandeiras, flâmulas e posters. Onde estavam as lojas com mini cestas, tênis, DVDs e tudo mais que um bom torcedor gostaria de ter como recordação?
Após quinze rodadas é difícil acreditar que tempo tenha sido motivo para elaborar um espaço para se comercializar produtos, mas quem sou eu para dizer isso? Sou apenas um torcedor. Ou melhor, um consumidor frustrado.
Não adianta anunciar no site que agora depende do torcedor. Se doze mil pessoas comprassem a camiseta por mês e o time chegasse às finais, esta teria que ser disputada em uma quadra improvisada no círculo central de um estádio de futebol com capacidade para receber uns sessenta mil pagantes.
Espero que o movimento de marketing anunciado desde o jogo seja executado com muita perseverança, pois apenas as camisas não serão solução para as finanças. A promoção dos jogos precisa ser trabalhada com maior antecedência e os ingressos ofertados de forma mais confortável ao torcedor, que pouca semelhança tem com o público que assiste aos jogos de futebol.